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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O Mal das fofocas e intrigas dentro de um terreiro de Umbanda

          A Umbanda é uma religião livre e aberta a todos, ou seja: livre, pois não se prende a uma doutrina exclusiva e restritiva, permitindo a cada ramificação e a cada terreiro, exercerem a sua própria doutrina e seus próprios fundamentos de acordo com seus guias espirituais; aberta, pois recebe a todos sem preconceito de crença, cor, status social ou econômico, ou preferências sexuais.
          As casas de Umbanda estão sempre com suas portas abertas a todos, se motivando pela caridade no ajudar ao próximo e na educação moral e espiritual do ser humano.
          O “código moral umbandista” se baseia no respeito às diferenças, no respeito a todas as crenças, e a todas as formas de praticar a religião de Umbanda que existem no mundo.  É, no mundo, pois a Umbanda se tornou uma religião não só brasileira, mas que se encontra em vários países, como: EUA, Argentina, Uruguai, França, Suíça, Portugal etc.
          Sem preconceito, a Umbanda acolhe a todos e a todos tem uma palavra de força, de fé de conforto.
          Porém, os terreiros não são perfeitos, pois o material de trabalho dos Guias e Orixás somos nós, seres humanos que têm defeitos, manias, maus hábitos, defeitos morais e espirituais que os Guias têm de conviver, e, aos poucos, quando a matéria permite modificações, eles as fazem de bom grado, mas sabendo que nem tudo é passível de mudança.
          Só tempo é com muita paciência e boa vontade (com uma dose de determinação e aceitação do médium) é que as mudanças podem ocorrer (Umbanda não faz milagres, muito menos, os Guias e Orixás).
          Um dos piores defeitos morais coletivos que pode existir dentro de um terreiro é a “fofoca”, e, com ela, as intrigas.
Se existem fofocas isso demonstra que também existem inveja, ciúmes, vaidades, soberba ... Ou seja, uma série de maus modos que têm como termômetro a fofoca.
          Normalmente o “médium fofoqueiro” não faz essa prática por mal.
          Ele a faz por um vício que traz  de casa, do convívio familiar e que não foi corrigido em tenra idade, e que acaba se tornando um vício que persegue a pessoa dentro da própria família, em suas relações pessoais, no trabalho e, infelizmente, dentro de uma casa espiritual (não só nos terreiros de Umbanda, mas nas casas espirituais em geral: Igrejas, Centros Kardecistas, Terreiros de Candomblé etc).
          O “médium fofoqueiro”, muitas vezes, não tem ideia do mal que acaba fazendo, pois se torna compulsivo e involuntário nas palavras (a língua acaba sendo mais rápida do que o pensamento racional e moral).
          Com isso acaba gerando desconforto dentro do ambiente do terreiro, pois finda no jogo cruel e imoral do “jogar uma pessoa” contra as outra, ou outras; amigos contra amigos, irmãos contra irmãos; Pai/Mãe de Santo contra o ou os filhos; os filhos contra o Pai/Mãe de Santo.
          Ou seja, gera um caos, onde o “médium fofoqueiro” fica olhando e se divertindo com tudo aquilo, sem dar conta do estrago que está fazendo.
          As situações podem chegar a um ponto tal que as próprias “entidades” do “médium fofoqueiro” passam a absorver esse mal, ou o médium passa a ser anímico a tal ponto que suas “entidades” passam a também fazer fofocas, tais como:

  • “tem uma pessoa aqui no terreiro que diz ser sua amiga, mas que vai te passar a perna”; 
  • “você deveria tomar cuidado, pois tem gente aqui dentro de olho no(a) seu(ua) homem/mulher”; 
  • “o cavalo de fulano fez aquelas obrigações, mas o seu não faz ...”.

          Essas situações são terríveis e acabam marcando o próprio médium, e, sem dizer, as suas “entidades”, pois acabam, ele/ela e as entidades, perdendo a credibilidade, a confiança.
          Nesse ponto, onde antes havia “o veneno pernicioso da fofoca” gerado pelo médium, ele acaba colhendo o próprio fel que plantou.
          Caindo em desgraça diante dos irmãos e da própria assistência, fazendo com que o Guia chefe da casa ou o próprio sacerdote chefe, acabe tendo que tomar medidas drásticas, como:

  • a suspensão, a bronca pública ou mesmo a expulsão do médium do terreiro.

          Porém, como lidar para que as coisas não cheguem a um ponto extremo de ter que expulsar um “médium fofoqueiro” de um Terreiro?
          Inicialmente as queixas devem ser levadas ao Guia chefe da casa e/ou ao Sacerdote de comando do Terreiro, para que ele possa avaliar essas queixas.
          Caso as mesmas sejam pertinentes, o “médium fofoqueiro” deve ser chamado, tendo em vista que a pessoa não faz essa prática por ser ruim, mas porque tem problemas diversos (baixa estima; ciúmes inexplicáveis; é muito possessiva e não aceita dividir ou ter perdas; problemas de relacionamento em casa: marido, pais ou filhos; é uma pessoa, muitas vezes, amarga com a vida e com as pessoas em volta dela, frustrada nos relacionamentos pessoais, nos relacionamentos familiares, no trabalho ou com sua própria aparência etc).
          Assim deve-se tem muito tato para conversar com o médium para que ele não se sinta perseguido ou constrangido (Normalmente o “médium fofoqueiro” e uma pessoa que se sente perseguida diante de qualquer problema, principalmente dentro daqueles que ela tenha provocado – isso é uma forma de autoproteção ou fuga do problema.
          Também se sente constrangido por qualquer motivo e diz, gagueijantemente, que não foi ele/ela colocando a culpa em outrem ou em ciúmes e invejas; chora copiosamente ou, em casos de fuga, se deixa receber um kiumba que diz que “vai levar, foi trabalho mandado ou algo do gênero”, fazendo muito estardalhaço e sendo agressivo).
          No todo a conversa deve ser franca é concentrada no problema colocado e se a pessoa tem ideia do que fez, buscando-se sempre os motivos (coerentes ou não).
          O “médium fofoqueiro” deve entender que aquele tipo de prática não pode existir dentro do terreiro, ficando claro que punições são cabíveis a esse tipo de prática, podendo chegar à expulsão.
          Caso as coisas tenham ido para o lado dos Guias do “médium fofoqueiro”, os mesmos devem ser convocados e chamados à atenção, pois não estão cuidando do “cavalo” devidamente, e, acima de tudo, estão permitindo o animismo e a falsa espiritualidade residirem no médium.
          O sacerdote também deve buscar saber o estado espiritual e mental do médium para que ele possa ser tratado e/ou cuidado (se for espiritual no espiritual, o Guia chefe da casa deve ser consultado para ver o que pode ser feito em termos de descarregos, banhos, oferendas e/ou obrigações; se for no material/mental, deve-se indicar um Guia da casa para acompanhar o médium, e, dependendo da gravidade do problema, um psicólogo, terapeuta ou mesmo um psiquiatra, deve ser recomendado).
          O “médium fofoqueiro” deve ser sempre monitorado até que os problemas sejam sanados, e o bem estar volte à comunidade como um todo.
          O trabalho espiritual é constante e não adianta acreditar que as coisas irão se resolver sozinhas ou pelo Astral Superior.
          Esse é um pensamento muito comodista, pois as coisas dos homens, em geral, são resolvidas pelos próprios homens ou com apoio e intervenção da espiritualidade através dos Guias.
          Se as coisas são deixadas de lado por medos vários, elas tendem a crescer a um ponto do insuportável, onde acabamos tomando medidas ou posicionamentos extremos, onde poderíamos ter uma ação mais preventiva ou pró-ativa para evitar ou sanar os problemas

Etienne Sales – GhostMaster
Sacerdote Umbandistas e pesquisador na área de Ciência das Religiões

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Seu Caminho é a Umbanda?


Fonte:Google
Sim, seu caminho é a Umbanda...

Enquanto você valorizar a experiência espiritual com os Orixás, Guias e Mensageiros do Astral que se desdobram em muitas formas para te auxiliar. 

Seu caminho é e sempre será a Umbanda...
Enquanto você acender uma vela e sentir que ela fala contigo; 
Enquanto você escutar o som do atabaque e seu corpo aquecer num compasso de vibrações e arrepios;
Enquanto você sentir o aroma das ervas transmutadas em fumaça ao contato com a brasa incandescente e for acometido da sensação de estar sendo transportado para outro lugar;

A Umbanda continuará sendo seu caminho...
Enquanto o brado dos Caboclos te arrepiar, o silêncio dos Pretos Velhos te emocionar, o gracejo dos Baianos te alegrar, a sinceridade dos Exus te curvar, a simpatia das Pomba Giras te atrair e a ciranda dos Erês te relembrar que, apesar dos pesares, o mais importante é não perder a pureza das crianças. 

Sim, seu lugar é no Templo que frequenta...
Enquanto os espíritos regentes ainda forem referências de aprendizado;
Enquanto você sentir saudade ao final de cada gira;
Enquanto os objetivos espirituais e materiais também forem os seus objetivos;
Enquanto o sentimento de irmandade não se dissipar facilmente em momentos de atritos e conflitos naturais;
Enquanto você preservar o respeito e lealdade ao seu Sacerdote; 

Sr. Caboclo Tupinambá
Autor: Rodrigo Queiroz
Sacerdote do ICA, diretor da UmbandaEAD, idealizador e fundador do Jornal de Umbanda Sagrada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

7 coisas que você só descobre depois de se tornar Umbandista


1 - Usar branco não é fácil.
Pode parecer que é fácil, mas não é.
Essa cor traz uma responsabilidade enorme. Você terá que aprender a vigiar seus atos, zelar pelo seu espiritual e entender que há irmãos que precisam, naquele momento, mais do que você. Então, você trocará festas, shows, amigos, bebidas e um dia de descanso, para se doar algumas horas para uma pessoa que você nunca viu e provavelmente nunca mais vai ver, mas posso te garantir, vale a pena.
2 - Você é um médium 24 horas por dia e não só no terreiro. Não adianta você se enganar dizendo que é médium só no terreiro porque você não é. A mediunidade faz parte de você, sempre fez, e isso não vai mudar.
Aos poucos você vai descobrir isso e entender que a espiritualidade não é culpada pela sua colheita. Eles te mostram um caminho, mas você tem um livre arbítrio e realiza suas próprias escolhas.
Você planta, você colhe.
3 - As entidades não estão ali de brincadeira. Nenhuma entidade esta ali de brincadeira. Todas elas, sem exceção, estão ali para trabalhar, ensinar e também aprender, por isso, ouça-os com atenção e trate-os com muito carinho e respeito.
4 - Exú é uma entidade de Lei. Você vai entender que Exú não esta ali para brincar, beber, fumar, dar em cima de alguém ou amarrar uma pessoa. Não. Eles não são assim.
Exús e Pombo Giras são entidades que trabalham nos planos inferiores sob a Lei do Pai Maior. São eles que nos protegem na entrada, na saída e nas encruzilhadas dessa vida.
Alguns são brincalhões outros mais firmes, mas todos carregam consigo a seriedade em seu trabalho, se utilizando somente da energia da bebida e do fumo, nada mais. E se for preciso Exú trabalhar sem a bebida ou o fumo, ele trabalhará, sem dúvidas.
5 - É preciso ajudar e não só participar. Ser médium e fazer parte de um terreiro não é só chegar no dia da Gira e fazer seu trabalho. Não. Não é assim.
O chão que você encontrou limpo, alguém limpou. A vela que você usou, alguém comprou. O banho que você tomou, alguém macerou. O local que você esta, a luz que você utiliza e a água que você bebe, alguém pagou. Então, ajude...
Ajude a limpar quando puder, leve o seu material de trabalho e, toda vez que possível, auxilie na compra daquilo que falta na Casa, colabore com o que conseguir para a manutenção do aluguel, da água e da luz...
Não. Isso não é sua obrigação, eu sei, mas também não é minha e nem do Dirigente que ali se encontra. A obrigação é nossa. Nós temos que manter e cuidar do lugar onde nossa espiritualidade escolheu para trabalhar.
6 - Cansa. Isso eu preciso te falar: Irmão, cansa.
Existe um antes, durante e depois, vou explicar:
ANTES de todo e qualquer trabalho, o terreiro precisa ser limpo da maneira correta e as firmezas precisam ser devidamente cuidadas.
Você precisará se alimentar de maneira correta, tomar seu banho de defesa, acender suas velas e se direcionar ao terreiro, algumas horas antes do inicio dos trabalhos, para ajudar, tentando permanecer sempre em silêncio.
DURANTE todo e qualquer trabalho, você estará fornecendo e recebendo energias, então, é importante que o processo do ANTES tenha sido cumprido com rigor.
Se você for médium de passe, lidará diretamente com energias. Se você for cambono, também lidará diretamente com energias, por isso, em todos os casos e cargos, é importante manter a firmeza.
DEPOIS de todo e qualquer trabalho, é preciso deixar o ambiente limpo de novo, então, pegue a vassoura, a pá, a esponja e mãos a obra.
Dia seguinte você com certeza estará com o corpo dolorido, entretanto, digo mais uma vez a você: vale a pena.
7 - Você vai se apaixonar.
Independentemente dos 6 itens acima, você vai se apaixonar. Seja você um cambono, um médium de passe, um médium em desenvolvimento, um futuro sacerdote ou um simples consulente, esteja você na corrente ou na assistência, você vai se apaixonar por essa religião e nada, NADA, vai pagar a sensação de paz que vai te invadir ao receber um abraço sincero de alguém que você nunca viu, ao ver um sorriso no rosto de quem chegou chorando, ao ouvir o mais simples e sincero "obrigado"... Nada vai pagar.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

13 de Maio - Data em comemoração a linha de Pretos Velhos.

13 de Maio - Data em comemoração a linha de Pretos Velhos.

Instituto Cultural "Ogum da Estrela Guia"


13 de Maio dia que a Umbanda homenageia os pretos velhos 

data em que foi assinada a Lei Áurea (Libertação dos Escravos) 

"Se doer, nós alivia.

Se for difícil, nós ajuda.

Se tiver que rodar,

nós Roda.

Agora, tem que ter fé".


segunda-feira, 7 de março de 2016

Salve Ogum Guerreiro.


Ogumm 
Cavaleiro do céu escudeiro fiel mensageiro da paz 

Ogumm 
Ele nunca balança ele pega na lança ele mata o dragão 

Ogumm 
É quem da confiança pra uma criança virar um leão 

Ogumm 
É um mar de esperança que traz abonança pro meu coração.


Letra musical de autoria de Zeca Pagodinho

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

sábado, 5 de outubro de 2013

SUSSURROS OU GRITOS ?



SUSSURROS OU GRITOS ?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.

- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?

Questionou novamente o pensador.

Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:

- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu:

- Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?

O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.

Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.

Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?

Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê?

Porque seus corações estão muito perto.

A distância entre elas é pequena.

Às vezes, estão tão próximos seus corações que nem falam, somente sussurram.

E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.

Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador concluiu dizendo:

Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.



Fonte: mensagem enviada pelo Guru Anderson.
Publicado na revista “Sabedoria da Umbanda” nº 14 pp. 34

terça-feira, 23 de abril de 2013

Oração a São Jorge !


Oração A São Jorge


Ó São Jorge, meu santo guerreiro, invencível na fé em Deus. que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança, abri meus caminhos.

Eu andarei vestido e armado com vossas armas para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos possam ter para me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas, atendendo-me com vossa força e grandeza.

Ajudai-me a superar todo desânimo e alcançar a graça que vos peço ( faça agora seu pedido).

Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade.

Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria, fazer o sinal da cruz.


SALVE SÃO JORGE !

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Crianças e o Papai do Céu


Crianças e o Papai do Céu

Por Fernando Sepe
Fonte: alexandrecumino@uol.com.br

Em uma das muitas escolas de Aruanda, um Preto - Velho de nome Antônio estava tendo uma conversa com um grupo de encantados - crianças que trabalham dentro da Umbanda. Era uma  “aulinha”  onde o "vô” , como eles o chamavam, tentava explicar algumas coisas a respeito dos encarnados e do que eles deveriam fazer durante os trabalhos espirituais:

_ ... Bem, como eu estava dizendo, os encarnados são um pouco complicados sabe, têm alguns que não acreditam nem em Olorum... _ dizia o velho Antônio.

_ Como não vô? Eles num acreditam no papaiii-mamãeee-do-céu? Ué, você num ensinou para eles que “O Papai” mora dentro do coração de cada um? _ perguntou uma menininha de nome Catarina.

_Ensinei minha filha, mas sabe, na matéria eles têm tantos problemas, preocupações, dificuldades, que eles não conseguem nem mesmo escutar o próprio coração. A intuição e tudo isso que para vocês aqui é muito claro, para eles não passam de fantasia, misticismo, bobagens...

_Ah, eles são bobocas mesmo, e depois vocês me dizem que um dia eu vou ser igual, vou ter que en ... en ... como é mesmo vô?

_Encarnar! _ Respondeu Joãozinho, outra criança que estava na aula e que não saía nunca de perto do vô.

_Isso, en – car – nar! Eu não quero vô! Não quero esquecer do Papai do céu! Eu amo tanto Ele. _ Disse Catarina quase chorando.

_Minha filha, você não precisa ter medo, afinal também existem muitos encarnados bondosos, que crêem no divino Criador e por Ele trabalham avidamente. Além do mais, ainda vai demorar um bocado para você encarnar.

_ Ufa, ainda bem! _Catarina parecia aliviada.

_ É meus pequenos, é difícil e triste quando muitos dos que a gente mais ama, esquecem de Deus na carne e se entregam a coisas pouco louváveis a seus divinos olhos. E então eles fecham – se a nossa inspiração, e nada mais nos resta a não ser se afastar e esperar... _ e o velho Antônio assumiu uma feição tristonha.

As criancinhas, que não entendiam muito dos sentimentos e pensamentos dos adultos, mas tinham uma intuição incrível e conseguiam escutar como poucos o coração dos espíritos, perceberam que o “vô” ficou um pouco triste. Por isso começaram a jogar bolinhas de luz nele e pularam todos juntos em cima do velho Antônio, o que acabou resultando no começo de uma verdadeira bagunça:

_Mas o que é isso aqui? Antônio, você não consegue colocar ordem nos pequenos? _ disse uma rechonchuda negra de traços bondosos, que chegava na sala de aula, trazendo algumas xícaras de chá.

_Ordem é comigo vó “Dita”, pode deixar! _ Disse Jorginho, o maiorzinho daquelas crianças que era “fanático” em colocar tudo em ordem.

_Não, num precisa não Jorginho! Deixa que já está tudo normal... _ se antecipou a vó “Dita” antes que ele fizesse alguma de suas loucuras:

_Vim trazer um chá, colhido aqui do canteiro da mãe Jurema. E você em Antônio, que vergonha, brincando que nem um mocinho...e não me chama para participar! Hahaha...

A Velha “Dita” chamava – se Benedita e junto com Antônio eram os responsáveis por uma escola que tinha como objetivo dar instruções a todo um grupo de encantados da natureza, que trabalhavam dentro da religião de Umbanda, onde são conhecidos como a "linha das Crianças". Eles eram muito puros e estavam ainda muito ligados aos reinos da natureza e suas divindades Orixás, assim tinham muita dificuldade de entender o comportamento humano. Além disso, esse convívio com os encarnados um dia facilitaria, quando as crianças também tivessem que encarnar.  

_Bem por hoje chega. Amanhã vamos ter trabalho em uma Casa de Umbanda. Vai ser gira dos irmãos caboclos, mas quem quiser ir para conhecer e estudar um pouco mais os encarnados podem vir com a gente. _disse vó Dita. 

Todos foram embora, mas as crianças secretamente se reuniram com a vó Dita e pensaram em fazer uma surpresa, no outro dia, para os encarnados e desencarnados...

e ENTÃO...

Gira no terreiro, correria na parte física e espiritual. Todo mundo tomando seus postos, nos astral diversos espíritos sendo encaminhados, curados mesmo antes do começo dos trabalhos, na parte física ascende – se à defumação, afina – se os atabaques, etc. Antônio como um dos mentores da casa coloca – se ao lado do congá.

Os trabalhos começam: hino da Umbanda, defumação, bater cabeça, etc. Nesse dia o dirigente chama a presença de mãe Iemanjá no terreiro. Os médiuns são tomados por suas naturais, belíssimas que cantam e dançam, trazendo paz, harmonia e amor a todos. O velho Antônio que tem um carinho especial pela encantadora “sereia do mar” se emociona e chora. Às vezes achamos que apenas os médiuns se emocionam com a manifestação dos Orixás, mas isso não é verdade, os guias também.

Chega o momento da incorporação da linha de trabalho, os caboclos naquele dia é que iriam dar passe. Mas algo estranho acontece. Um portal luminoso abre – se e as crianças começam a chegar e envolver todo o ambiente. O dirigente percebe a diferença, e como sempre está aberto ao que o “alto” determina, resolve incorporar as crianças mesmo. E elas chegam fazendo a festa que todos conhecemos tão bem.

O velho Antônio não sabe o que faz, mas parece que todo mundo já sabia que isso aconteceria, menos ele. De repente ele vê a vó Dita e percebe que isso só podia ser coisa dela mesmo.

A médium de Catarina toma a frente do trabalho, fica de frente para a assistência, e diz:

_Boa noite! Olha meu nome é Catarinaaa e eu vim aqui para dizer umas coisinhas...

_Sabe, vocês já viram aquele velhinho bondoso chamado Antônio dizer que o Papaiii-mamãee-do-céu mora no centro dos seus corações, né?! E por que na hora vocês todos fazem cara de “que lindo”, mas depois que saem daqui esquecem de tudo?

_Ou vocês acham que só aqui vocês estão em contato com Deus? Esse templo é a casa do Papai? Claro que é! Mas dentro de vocês também! Até eu que sou criança sei disso, como é que vocês não sabem?

_ A vida de vocês é difícil, eu sei. A gente tá aqui para ajudar, mas tudo depende de vocês. Nem o vô que é muito lindo pode fazer alguma coisa, se vocês não ajudarem a si próprios. Entendem?

_Olha, eu trouxe esse buquê lá do jardim de Aruanda, ele tem flores de todas as cores. Mas vocês não as enxergam. Então eu vou dar para cada um de vocês uma flor, e vou pedir que vocês acreditem e guardem-nas bem no coração, e toda vez que se sentirem tristes, lembrem dessa florzinha, porque nela o Papai do céu também está.

E ela foi dando um beijinho, um abraço e uma palavra de amor para cada uma das pessoas que lá estavam presentes. Quando terminou disse:

_Viram só, eu quero que vocês guardem essa flor de Aruanda. Ela se chama AMOR, e quem a tem no coração tem também o Pai – Mãe Criador de Todos.  

As pessoas da assistência estavam todas meio espantadas. Elas conheciam as crianças, achavam – nas engraçadas, mas não esperavam tanta ternura, amor, e porque não, sabedoria daqueles “pequenos”.

E então naquele terreiro a gira que era para ser de caboclo, virou uma festa de criança, e toda assistência brincou junto delas. 

As pessoas enfim entenderam, que o AMOR é a presença viva do Criador dentro dos nossos corações.

O velho Antônio sorria e começou a pensar como aquelas crianças tinham uma forma diferente de ver as coisas, uma forma que nós os adultos já não mais tínhamos.

_É Antônio a gente também aprende muito com eles, não é mesmo? Isso foi idéia da Catarina, eu só ajudei. Eles queriam te fazer uma surpresa. Acho que conseguiram...

_Ah “Dita”, só você mesmo né?! Hahahaha...

E aqueles dois espíritos que amavam – se tanto e trabalhavam juntos pelo Criador se abraçaram e foram para um outro lugar, afinal, os pretos – velhos também namoram, mas isso já é outra historia...     

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Culpa Foi do Obsessor !


A Culpa Foi do Obsessor!

Legado de umbanda é sacerdócio
Onde cada um tem que cumprir sua missão
Muitos passam pelo terreiro...
Poucos são os que ficam vivenciando lição

Para muitos a escola Aruanda é boa
Quando atende aos seus anseios
Mas quando contraria ao que se quer
Valha-me Nossa Senhora, aí começa o desmantelo.

Tem filho de tudo quanto é qualidade
Tem até os que perderam a identidade
E no vaivém da vida deixa passar oportunidade
Eita povo mal-criado como faz complicadô
Bate cabeça no Conga, mas num se alembra de Nosso Sinhô.

Baiano de sua redinha olha os filhos que estão na corrente
Fico feliz quando encontro uma alma que não esta ausente
A Umbanda é boa baiano? E eu arrespondo: é sim senhor!
Mas prá trabalhar na umbanda num tem que ter cansador.

Tem filho injuriado e desconsolado também
Tem aquele que é sonhador e cá pra terra não vem
Prefere viver nas nuvens pra não machucar ninguém
Ainda tem o filho que faz birra feito criança mimada
Bastô a mãe levantar a voz já se acha injustiçada
Porque conselho dos guias e pró outros pra ela num serve nada!

Virgem minha Mãe Santíssima
Agora é baiano que num sabe quem tá errado?
Pois tem filho que avalia os outros, mas, num quer ser avaliado.
Leva a vida toda no aprendizado e adispois é reprovado

Não escolheu o amor como melhor opção
E daí passa o resto do tempo a fazer reclamação
No final diz que se enganou a culpa foi do obsessor!
E passa o resto da existência fazendo seu rezador
Lamuria, lágrima e arrependimento foi só o que ele lucrou.
Pois ao invés de trabalhar na Umbanda ele deu foi trabalhador

É da Bahia meu Pai!
Salve o Senhor do Bonfim!

Baiano Zé do Coco
Médium Mãe Luzia Nascimento
Em 27 de novembro de 2007
Dirigente do Centro Espiritualista Luz de Aruanda
Filiado ao Centro Espiritualista Caboclo Pery